Confira a seguir as principais dúvidas com relação a Covid-19 respondidas pelo médico do Hospital de Barroso, Dr. Sérgio Guimarães. 

1) COMECEI A TER SINTOMAS E ACHO QUE PODE SER COVID-19. QUANDO REALIZAR  TESTE RT-PCR?

A sensibilidade do teste para detectar o vírus é maior quando realizado em até 7 dias (realizar o teste de RT-PCR preferencialmente entre o 3º e o 7° dia do início dos sintomas). Vale lembrar que, se há suspeita de COVID-19, o ideal é fazer isolamento antes mesmo de sair o resultado do exame. Pessoas incubam o vírus por aproximadamente 7 dias e só então começam os sintomas. Os dias de maior transmissão são 2 dias antes dos sintomas, o próprio dia dos sintomas e dois dias depois. Pense se esteve com ela nesta janela de tempo. Se teve contato próximo (por mais de 15 minutos, a menos de 1,5 metro de distância e sem máscara) há grande chance de ter se infectado e deve-se manter o isolamento social por 14 dias a partir do dia em que acha que se infectou. Se apresentar sintomas (os cinco principais achados clínicos e frequência estimada na fase inicial são: tosse (50%), febre referida ou aferida maior que 38°C (43%), mialgia, que significa dor muscular generalizada (36%), cefaleia, que significa dor de cabeça (34%), dor de garganta (20%), deve-se manter o isolamento social por 10 dias a partir do início dos sintomas nos casos leves e 20 dias nos casos graves e moderados.

2) É POSSÍVEL O TESTE DE PCR SER NEGATIVO, MAS ESTAR INFECTADO COM O VÍRUS DA COVID-19?

Sim, existe possibilidade de o teste ser negativo – especialmente se for feito muito cedo ou no final do curso da infecção das vias aéreas superiores. Nesse caso, é importante considerar, além do teste, outros fatores, como se o indivíduo testado teve contato próximo com alguém sabidamente infectado. Além disso, se há características clínicas de COVID-19, existe maior probabilidade do resultado ser falso negativo.

3) A PARTIR DE QUANDO, DEPOIS DO PRIMEIRO DIA DOS SINTOMAS, POSSO FAZER O TESTE DE SOROLOGIA PARA SABER SE TENHO ANTICORPOS IGM OU IGG CONTRA O SARS-COV-2?

Tipicamente os testes detectam anticorpos IgM (relacionados à fase aguda, com infecção corrente) a partir dos dias 5 a 7 e IgG (fase tardia) a partir de 10-14 dias depois dos primeiros sintomas. Em algumas pessoas com sintomas mais leves, pode demorar para ficar positivo. Porém, após a positivação, os anticorpos podem persistir por tempo prolongado e chegam ao pico, normalmente, depois de 28 dias.

Se quiser ter uma boa chance de detectar seus anticorpos IgG, espere 30 dias depois dos sintomas.

4) SE EU TENHO ANTICORPOS IGG, ESTOU PROTEGIDO E NÃO TENHO MAIS RISCO DE TER COVID-19?

Se você não fez o PCR para confirmar a presença do vírus e não teve sintomas, mas testou positivo para IgG, há possibilidade de o teste ser falso positivo. Repita o exame em outro laboratório com outra metodologia. Se for novamente positivo, indica que você já teve contato com o vírus. Os estudos até o momento mostram que pode haver proteção em quem já apresentou a COVID-19, mas não se sabe exatamente por quanto tempo ela persiste ou se todos que tiveram COVID-19 estão necessariamente protegidos.

Mesmo que você já tenha tido COVID-19, não abandone as práticas sanitárias de isolamento, sobretudo o uso de máscara e lavagem de mãos frequente.

5) NUNCA TIVE SINTOMAS, MAS FIZ UM TESTE RÁPIDO QUE MOSTROU ANTICORPOS PARA COVID-19.  O QUE ISSO SIGNIFICA?

É possível que você tenha tido uma infecção pelo SARS-CoV-2 que não progrediu com manifestações clínicas, mas que tenha estimulado a produção de anticorpos. Contudo, os testes sorológicos, especialmente os testes rápidos, têm uma probabilidade elevada de darem resultados falso-positivos.

6) SE ALGUÉM QUE MORA COMIGO TIVER SINTOMAS DE COVID-19 E FOR CONFIRMADO POR PCR, COMO DEVO PROCEDER PARA EVITAR ME INFECTAR?

Ambos devem praticar isolamento, uso de máscara em casa e lavagem de mãos. Não façam refeições juntos, não compartilhem talheres, copos, toalhas ou roupas de cama e nem fiquem em lugar fechado sem máscara conversando, pois isso favorece a transmissão do vírus. Para maior segurança, estes cuidados devem ser tomados preferencialmente por 14 dias após o início dos sintomas do outro.

7) SE EU ESTIVER AO AR LIVRE, POSSO RETIRAR A MÁSCARA?

Embora a caminhada ao ar livre seja uma prática sabidamente saudável, não é aconselhável circular sem máscara, mesmo ao ar livre. Claro que o risco de infecção aumenta muito em ambientes fechados, mas já foi mostrado que a máscara torna este risco muito baixo se você a usar, mesmo em ambientes arejados. A máscara lhe protege e protege os demais, caso você esteja infectado e não saiba.

8) EXISTE UM MEDICAMENTO ESPECÍFICO E TOTALMENTE EFICAZ PARA A COVID-19?

Atualmente, não há um tratamento antiviral específico e totalmente eficaz para COVID-19, tampouco terapia precoce que previna o desenvolvimento da doença. É importante o acompanhamento médico precoce e o monitoramento diário e atento dos sintomas que podem indicar evolução da gravidade da doença.

9) DEVO USAR OS KITS DE PREVENÇÃO OU TRATAMENTO DA COVID-19?

Não existem evidências científicas, até o momento, que apoiem quaisquer desses tratamentos precoces. Além disso, a ingestão de uma mistura de medicamentos sem saber como eles interagem entre si no organismo pode trazer risco para a saúde. A melhor prevenção para a doença é praticar o isolamento físico, usar máscaras quando em presença de outras pessoas, evitar aglomerações principalmente em locais fechados, e lavar as mãos frequentemente – além é claro de cuidar da sua saúde e alimentação.

10)  É VERDADE QUE O USO DE VITAMINA C OU D PREVINE A INFECÇÃO PELO NOVO CORONAVÍRUS?

Não há qualquer comprovação que o uso de vitaminas C ou D em altas doses, nem tampouco gargarejos de água morna ou alho sejam eficazes para prevenção ou tratamento da COVID-19.

11) POR QUE A VACINAÇÃO É IMPORTANTE?

Vacinação é uma maneira segura e efetiva de se induzir uma resposta imunológica protetiva contra o microrganismo específico da vacina. Assim, se entrar em contato com este microorganismo, o sistema imune destrói o invasor sem haver doença. Atualmente existem vacinas disponíveis para nos proteger contra mais de 20 doenças como difteria, tétano, coqueluche, gripe e sarampo. Em conjunto, estas vacinas salvam a vida de cerca de 3 milhões de pessoas todos os anos. A varíola, por exemplo, uma doença muito grave, foi erradicada por causa da vacinação em massa.

Quando somos vacinados, além de proteger a nós mesmos, também protegemos aqueles ao nosso redor. Isso acontece porque a vacinação reduz a propagação das doenças, beneficiando indiretamente algumas pessoas que não podem se vacinar, porque têm doenças graves ou usam determinadas medicações que fragilizam o sistema imunológico.

12) AS VACINAS CONTRA COVID-19 SÃO SEGURAS?

As vacinas contra COVID-19 estão sendo rigorosamente testadas, através de ensaios clínicos controlados, com milhares de voluntários em todo mundo, incluindo aqui no Brasil, tendo se mostrado seguras.

As vacinas atuais são de vírus inativado ou que se utilizam de vetores virais que trazem uma parte do vírus para o sistema imune, além daquelas de ácidos nucléicos e proteínas recombinantes já aprovadas ou em fase final de aprovação. Nenhuma delas tem potencial infeccioso.

13) AS VACINAS QUE UTILIZAM A NOVA TECNOLOGIA, DE RNA, CAUSAM MUTAÇÕES NO DNA?

Não. O RNA é um mensageiro que vai direcionar a produção de proteínas do vírus pelas células do indivíduo, para que o sistema imunológico aprenda a reconhecer este patógeno e gerar uma resposta previamente à infecção natural. Para isso, o RNA exerce suas ações em uma região da célula (citoplasma) que não tem contato com o DNA. O material genético (DNA) fica “protegido” dentro do núcleo das células e não entra em contato com o RNA da vacina.

14) EU JÁ TIVE COVID-19. DEVO ME VACINAR CONTRA ESTA DOENÇA?

Ainda não se sabe exatamente se todos que tiveram COVID-19 estão protegidos ou por quanto tempo duraria esta proteção. Portanto, todos devem ser vacinados, inclusive aqueles que já foram infectados (desde que não estejam na fase sintomática da doença). Ao mesmo tempo, não existe nenhuma evidência que a vacina possa fazer algum dano a quem já teve a doença. Como o acesso à vacinação vai ser restrito, principalmente no início, se você estiver em grupos prioritários, vá se vacinar quando for chamado, mesmo se teve COVID-19.

15) QUEM FOR VACINADO PODERÁ RETOMAR NORMALMENTE AS SUAS ATIVIDADES, SEM PROTEÇÃO (COMO USO DE MÁSCARAS) E DISTANCIAMENTO SOCIAL?

Há grande probabilidade de você estar protegido com uma vacina de alta eficácia. Entretanto, todos os produtores de vacina concordam que levarão alguns anos até que vacinas para todos estejam disponíveis. Para a imunização ser mais efetiva e voltarmos à nossa rotina normal, sem máscara ou isolamento, é necessário que haja vacinação em massa. Com imunização de boa parte da população, há redução da circulação do vírus e temos uma imunidade comunitária; ou seja, é necessário ter ampla distribuição da vacina para termos proteção em base populacional. Portanto, até termos um número suficientemente grande de pessoas imunizadas para reduzir a circulação do vírus, é necessário manter as medidas de proteção.

Texto: Dr. Sérgio Guimarães